| |
|||||
|
|||||
|
Eis os “singles” mais vendidos no nosso país durante a passada semana.
1. Jackpot - “One and one is two” / “Baby come back”
Os jackpot calaram fundo no coração dos nossos ouvintes. Não é para menos! Um deles aplicou o rubro laçarote directamente sobre a máscula maça-de-Adão, outro vestiu a cortina da janela da cozinha, o terceiro aplicou na cabeça, em jeito de gorro, uma ovelha de peluche a que arrancou os olhos e o quarto armou-se com o aparelho facial de um professor de biologia do ensino secundário. É, de facto, difícil igualar o ecletismo e a versatilidade de tão admirável quarteto.
2. Quim Barreiros - “O franguito da Maria”
Ó Quim, pareces saído do planeta dos macacos! Pede, por favor, umas lâminas de barbear pelo Natal! Perante essa figura, a música é um mal menor. Compraste os sapatorros para subires mais facilmente ao muro, para fazeres percussão ou só porque não se usam? Com esses travões de acordeão calçados, há quem diga que tens as duas pernas mais curtas. A propósito, poupa a vida do galo e faz uma cabidela de tamancos! 3. Johnny & Orquestra Rodrigues - “Uma casa portuguesa”
Johnny, que esbelta figura a tua, com pernas de gafanhoto e cabeça de lavar carros! Será essa a aparência do futuro primeiro astronauta africano? Que saudades temos, J. Rodrigues, do teu tema “Hey Mal Yo (Ó Malhão)”, com que animaste tantos e tantos arraiais nos subúrbios de Joanesburgo. 4. José Malhoa - “Cristina”
Repare-se no Cássio digital que ornamenta o pulso esquerdo do nosso querido cantante, permitindo-lhe cronometrar ao milésimo de segundo o tempo aos quatrocentos metros planos com os sapatos de napa branca calçados. Como poderás tu, Cristina, aguentar mais de dois dias seguidos, sem ataques de asma, nesse quarto forrado a tapetes de contrafacção comprados em Ceuta? Vai por mim, Malhoa, esse romance não tem futuro, pá!...
5. George Baker Selection - “Sing a song of love”
Não há engano possível. Esta verdadeira quadrilha de alienígenas aprendeu a cantar canções de amor sob a batuta do Richard Cleyderman. Observe-se como a queixada de larguíssimo espectro do George Baker dá o mote e marca o ritmo, como a moça do grupo vestiu um saco para o lixo castanho e como o intruso indonésio (primo do General Wiranto) tão sub-repticiamente se insinua, contribuindo de forma discreta mas decisiva para a bizarria deste singular agrupamento.
6. La Bionda - “I wanna be your lover”
Os pilantras não enganam. Tentam passar por um agrupamento internacional mas são, na realidade, o António Lemos, dono da boutique “Toni Jeans” e o Artur Raposo (o “Todo boneco”), sócio da boite “Sensações”. Vendem roupa e diversão nocturna dedicando-se, nas horas livres, a fazer má música.
7. Roberto Leal - “Bate o pé” / “Viagem a Lisboa”
Roberto Leal é um artista consagrado, que desfia lindas canções de raiz lusitana em versões simples mas sugestivas que agradam a todos, portugueses e brasileiros, velhos e crianças. Não admira que tenha sido considerado o melhor cantor da juventude, em 1975, no programa “Buzina do Chacrinha”. Ó Roberto, com essa crina e essa pose sonhadora e sensual, estás capaz de roer as cuecas de renda preta da Florbela Queiroz numa qualquer pensão de Loulé.
8. Clarisse e Tó - “Ninguém, também sonha”
O que faz tão proletário par, ele engraxador em Setúbal e ela pugilista ucraniana com farta cabeleira riscada ao meio pelos poderes do cajado de Moisés? Canta em comícios da CGTP para aproveitar as sardinhadas? Apresenta festivais da canção da margem sul do Tejo? Faz “stand-up comedy” com interlúdios musicais? Anuncia com gingantes “gingles” prémios saídos nas rifas? Nada disso! Seguro da sua terna cumplicidade, o nosso par simplesmente sonha!...
9. Frédéric François - “Fanny Fanny”
Fréderic, com esse tratamento facial
á base de vioxene, chegarás aos 90 anos sem ponta de ruga na carinha laroca.
Onde compras tu esses fatos debruados a pioneses, em que não entra a traça
mas entra a ferrugem? Os rabiscos metalizados sobre a clavícula direita
serão a assinatura da tua amada com nome de cadela a quem dedicas o single?
Não restam dúvidas, Frédéric: és um peralta engomadinho!
10. Fernando - “Carlitos, Carlitos!”
Fernando, não sejas bera para o miúdo! Que culpa tem ele que as calças de romeno lhe tenham fechado as portas da CAIS? Bem basta a confrangedora cega-rega com que o azucrinas: “Carlitos, não puxes o rabo ao gato. Carlitos, não estragues o teu sapato. Carlitos maroto. Carlitos traquina. Carlitos, ainda levas uma lamparina.”
|