
O gato da velhinha Jeová, um bichano
de sangue azul da mais fina estirpe, criado no seio da aristocracia inglesa,
foi baptizado de Aguinaldo. Tal facto não o impede de utilizar
o nome de Aguinaldieri durante as suas frequentes viagens a Itália
e de responder pelo nome de família Archibald quando se encontra
nas Ilhas Britânicas, onde gosta de passar largas temporadas.
Tem como pratos favoritos porcos em forma de fiambre e farinha Cerélac
preparada com leite gordo, a 37º centígrados (98.6º F
ou 310º K).
As suas maiores amigas (que frequentemente convida para um chá
com um suspiro de leite) são três carismáticas gatas,
de seu nome Peixoto, Peixotinho e Peixotíssimo.
Escapou ileso de quatro atropelamentos, mas desde então mia a gaguejar.
Foi ainda vítima de uma aparatosa queda nas traseiras do frigorífico,
onde deixou parte das partes baixas.
Defende de forma primorosa tudo o que for chutado na sua direcção:
bonecos de peluche, bolas de ténis, chinelos, canivetes suíços,
bolos de bacalhau, almôndegas... As suas estiradas fazem lembrar
as do glorioso Marrafa, ex-guarda-redes da Académica de Coimbra,
que apenas defendia bem quando estava ressacado.
Cultiva o salutar hábito de se emboscar atrás das portas,
com o intuito de atacar as amigas da velhinha que mais se assemelhem a
uma espinha de garoupa.
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