o margalo
de Barcelos
   
 

O galo de Barcelos, símbolo de fé e de justiça, é um ícone do Portugal mais popular e provinciano.

Reza a lenda do Galo de Barcelos que naquela localidade minhota, em tempos idos, um homem condenado à morte pelo roubo de dois pares de ceroulas jurou ao magistrado, movido por um forte impulso de fé, que um galo que jazia morto numa púcara se levantaria e começaria a trautear o penúltimo sucesso de Sérgio e Madi, provando assim a sua inocência. O galinácio logo saltou da púcara, desatando a cantar com mais gana do que a Hermínia Silva com três “Macieiras” no bucho. O homem foi libertado e, desde então, anda a monte.

O falo das Caldas, por sua vez, encontra-se bastante enraizado no nosso imaginário mais brejeiro.

Por encomenda pessoal do Rei D. Luís, começou a ser produzido no “Sítio do Reis”, nas Caldas da Rainha, nos finais do século XIX. Desde então, moldado no barro mais grosseiro ou fabricado com a mais fina cerâmica vidrada, decorada com requintados elementos musgados, tem embelezado estantes de escritório de armazém um pouco por todo o país.

Nenhum dos dois símbolos logrou afirmar-se como o ícone nacional por excelência: o galo de Barcelos por ser considerado demasiado serôdio e provinciano pelo Portugal mais moderno e vanguardista; o falo das Caldas por não ser aceite pelos sectores mais puritanos da nossa sociedade.

Assim, urge lançar uma nova figura iconográfica que, resultando do cruzamento do melhor daquelas duas, se constitua como a grande referência simbólica nacional, capaz de projectar internacionalmente uma imagem forte do nosso país.

Tal figura, ao contrapor a sua “tusa” à altivez do “Coq” francês e à pujança do “Miúra” espanhol, permitiria a qualquer português, em qualquer parte do mundo, identificar-se com o seu saudoso país.

Aqui deixamos quatro diferentes propostas de composição desse novo símbolo nacional que dá pelo nome de “Margalo de Barcelos”:

 

Proposta nº 1


Autor: João Bezerra, 42 anos

Composição: 75% de margalho e 25% de galo.

Nesta proposta, em que prevalece claramente a componente fálica (que confere à mascote o seu ar afável), caberá destacar uma fisionomia indiciadora de mutações genéticas que, juntamente com a crista com brilhantina, a jaqueta acatitada e os óculos em forma de glande, ajuda a explicar o enorme sucesso desta proposta junto da camada adolescente.



Proposta nº 2

Autor: José Gil, 36 anos

Composição: 40% de margalho e 60% de galo.

Idealizada para vir a ser moldada no melhor barro negro de Molelos, a presente proposta é a que mais claramente assume a iconografia popular, revendo-a de forma respeitosa. Aqui, a componente animal prevalece, o quanto baste, sobre a componente sexual, dando sustentabilidade a uma eventual alteração da designação da figura de “Margalo de Barcelos” para “Galo das Caldas”.

 

Proposta nº 3

Autor: Hugo Santos, 10 anos

Composição: 15% de margalho e 85% de galo

Rabiscado no quadro de uma sala de aula durante a ausência da professora, a proposta deste jovem artista, apesar de revelar uma rara maturidade e clareza de traço, deixa ainda transparecer a candura própria de um autor de tão tenra idade que, de forma púdica, teve o cuidado de limitar o margalho à zona do bico, reduzindo-o a um discreto mas personalizado apêndice fálico.



Proposta nº 4

Autor: Rui Cardoso, 33 anos

Composição: 100% de margalho disfarçado com 30% de galo

Proposta ousada e polémica, em que a componente aviária assume a forma de uma carapuça tão protectora quanto desafiadora, afastando dos hipócritos olhos dos fiscais da moral um margalho que teima em erguer-se firme e pujante. Ao remeter para um objecto como o preservativo, a proposta tem o mérito de agitar mal reprimidos fantasmas, alimentados por seculares complexos judaico-cristãos.

Escolha a sua proposta através do e-mail velhinhajeova@gmail.com